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Vício em games: a nova doença da sociedade moderna



A Organização Mundial de Saúde (OMS) especificou recentemente o vício em videogames na sua lista de doenças modernas, confirmando a nova versão de sua Classificação Internacional de Doenças (ICD-11). O termo oficial utilizado é “gaming desorder”, que traduzido significa “transtorno de games”.


A mudança coloca agora o vício em games na mesma categoria de distúrbios como alcoolismo e vício em apostas. Caracterizando-o por um padrão recorrente ou persistente relacionado tanto a jogos em videogame, quanto os digitais, utilizados de forma online ou off-line.


Para o neurologista do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), Ricardo de Oliveira Souza (CRM: 52-36375-2), a iniciativa traz o benefício de identificar que os indivíduos que sofrem deste mal não são “malandros” ou “preguiçosos”, mas como alguém que precisa de ajuda. “Muitos poderão criticar a criação desse novo ‘vício’ como uma forma de discriminação, mas o fato é que o único meio de direcionar um tratamento adequado é, antes, reconhecer o problema como tal”, analisa o especialista.


O neurologista explica que é necessário familiares e parentes estarem atentos aos sintomas do distúrbio em seus entes queridos para verificar se é o momento de procurar por auxílio profissional. “Quando o apego aos jogos passa a interferir e prejudicar o desempenho da pessoa no seu dia a dia, como, por exemplo, na escola ou no trabalho, é hora de buscar ajuda médica”, esclarece Souza.


O médico destaca que quem sofre do vício em games costuma ter baixo nível de motivação e interesse pelos eventos da vida que normalmente estimulam as pessoas e interessam sem a necessidade de reforço adicional como álcool e drogas. “Existem sistemas cerebrais que promovem a busca de recompensas cotidianas através do esforço pessoal, que resultam em prêmios, como por exemplo, assistir televisão ou sair com os amigos após um dia de trabalho ou de estudos. Nas pessoas normais, a recompensa é a própria conquista do resultado. Mas, esses sistemas funcionam abaixo do normal nas pessoas propensas ao vício, fazendo com que exagerem no tempo empenhado nos raros comportamentos que lhes dão prazer”, reforça Souza acrescentando que, nesse aspecto, o vício por games é idêntico ao dos jogos de baralho, da bebida e do uso de drogas ilícitas. Por isso, se faz uma distinção entres dois tipos de vícios: os vícios em drogas e os vícios em comportamentos. Todavia, seus fundamentos cerebrais são muito parecidos. Tanto assim que quando, por alguma razão, o sujeito é impedido de exercer seu vício comportamental (por exemplo, se os pais o proíbem de comprar cartões de jogo), em curto prazo ele migra para outro, como baralho ou drogas.


A predisposição individual e o fácil acesso ao objeto de consumo são os principais fatores para desencadear o problema, expõe Souza. “Apenas uma pequena fração das pessoas expostas ao longo da vida a esses estímulos, geralmente, na infância e na adolescência, fica ‘viciada’, denunciando sua predisposição individual. Depois de instalado o vício, a reversão é difícil”, esclarece. O tratamento da nova doença consiste em repressão ao vício de forma sistemática e não agressiva dificultando o acesso aos objetos de consumo. Alguns medicamentos podem fazer a diferença em alguns casos. A meta é, não apenas desestimular o vício, como também promover a integração do sujeito às rotinas da vida de modo a fazê-lo sentir o quanto estas podem valer a pena após um esforço legítimo.


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